sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Cálice Divino
Sempre penso no que tenho
Nunca vejo o que acontece
Sou um colar em ouro branco.
Você, um pesadelo intermitente!
Talvez não seja por gostar,
Talvez não seja por beijar,
Talvez não seja pra brigar,
Talvez eu queira te ligar
Por mais que eu queira me livrar.
Tomara eu, vou desligar!
A carta rosa que mandara
Foi para o cálice divino
Quem sabe um dia eu a veja.
Quem sabe um dia, no infinito.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
O Leitor
O inimigo, sou eu.
Por que não você?
Se atenha somente ao que possa ver.
Que tal uma faca,
Meu nobre João.
Talvez uma espada,
Leandro e a escrita.
Uma faca e uma espada,
Rodrigo se agita!
E a morte acontece.
E o sangue padece.
No escuro, sussura,
Sussura João.
Sussura, sussurra,
Com a faca na mão.
sábado, 1 de agosto de 2009
O Ingresso
Com a botina e a bota
E na viola, a palheta.
Chorando em todas as cordas.
O grave é bom! É porreta!
Um sertanejo tão sério
Nunca foi bom peão.
Sem Maria Bonita,
Vive na escuridão.
Eu choro mesmo, meu filho!
Sou cabra forte, meu irmão!
Sou sertanejo do Norte
Com mel, cachaça e limão!
E se a sanfona está triste.
O sanfoneiro é sem tom.
Minha pegada é firme.
Um som daqueles! Trem bom!
Minha viola sozinha
Já dá um caldo grosseiro.
Sol Menor, Sol Maior.
Um Sol direito com jeito.
E se na fome, eu surgí.
Na esbórnia, curtí.
Mesmo assim, eu vencí.
E logo alí, eu pensei:
Nessa peleja da vida,
Na faculdade, ingressei.
Chorando em todas as cordas.
Mais uma vez, eu chorei!
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Porta-retrato
Embrulhado como esse?
Nunca ví, mais que presente!
Um toque na capa, um papel diferente.
Um beijo no rosto e um "tchau" bem ausente.
Um retrato guardado, tão chato,
Impertinente.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Lívia
Se eu fosse você,
Já saberia.
Se eu fosse você,
Perceberia.
Quando é engraçada...
- Engraçadinha!
Um caso do acaso...
- Só a Livinha!
E agora eu percebo...
- Namoradinha!
Se eu fosse você,
Já gostaria.
E agora eu já gosto...
- Pentelhinha!
Se eu fosse você,
Eu nem veria.
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segunda-feira, 6 de julho de 2009
O Clero
Pecai, ó sacristão!
Privilégio não há,
Pra que te enganar?
O futuro está lá... Lá na prisão.
Pecai, ó padre bom!
Já temos o Papa
Vizinho sagrado
No ouro, embalado. Um nobre cristão.
Pecai, ó religião!
Nos ouvidos um som,
De apenas um tom,
Que rege as vidas. Um bom ganha pão.
Pecai, assim de joelhos...
Enxergas o sangue,
O dourado do sangue,
Que banha a História com ouro e vermelho.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Conversinha
- Você vai beber, o quê?
- Escolhe uma coisa que eu dou pra você.
- Qualquer coisa, pode ser.
- Cafezinho, leitinho, vai lá! Só dizer.
- Eu quero isso assim... Isso assim, pode ser?
- Claro que sim. Isso sim pode ser.
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