sábado, 17 de abril de 2010

Bons Velhinhos


O seu rosto não mais se alinha
Sequer me importo,
Minha rainha.

A minha boca ainda a deseja
Encoste a sua à minha
Vem, me proteja!

O seu sorriso é tão constante
O seu sorriso não é de hoje,
Vem mais de antes!

E a felicidade que nos conduza
Até a morte, meu velhinho.
Minha eterna musa.

Até o meu corpo está sem vigor
Me abrace de levinho,
Nem sinto dor.

E esse casal está tão crescido!
Minha velhinha,
Já está escrito.

E o nosso livro, pra que escrevê-lo?
Ainda viveremos muito
Eles sabem o roteiro.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Cidadezinha


Naquela esquina, tão bonita,
Mora ali o Seu Leonardo.
Gente boa, um bom idoso,
Sempre sentado, é um barato!

Logo em frente, tem a casa
Da sua filha, a Joaquina.
Nobre donzela, refinada,
Caiu nos braços do padeiro,

João Carlos, trapaceiro,
Joga no bixo, o trambiqueiro!
A padaria é só boato,
O animal do dia? É o veado,

Irmão do traste, Ronaldinho,
Que joga bola no domingo,
Alí atrás, lá no campinho.
No veado, ficou rico!

E o Seu Leonardo? Coitado!
E a Joaquina? Pobrezinha!
E o João Carlos? Mercenário!
E o Ronaldinho? Espertinho!

Esse é o mal de cidadezinha.

domingo, 11 de abril de 2010

Pensando em Você


Quando penso em você?
Deixa eu ver.

Abro os olhos e você está ao meu lado.
Linda, tão plena.

Levanto da cama
E você está me esperando na sala,
Com cara de brava,
Querendo tomar banho juntinhos.

Pego a toalha
E você na cozinha.
Tão apaixonada,
Comendo uma torradinha.

Café da manhã tomado,
Arrumo o material
E espero a condução acompanhado.

Não chego mais atrasado,
Só pra te ver lá na aula
Com o sorriso estampado.

Parece até um sonhar acordado.
Pensar em você é muito mais do que fácil!

domingo, 4 de abril de 2010

Censurado - Feliz Páscoa


Esse poema acaba de entrar no Índex,
Só porque ele fala de um amor notório,
Algo assim que salta aos olhos,
Um desrespeito a antiga Igreja.

Oh, princesa de marfim
De material rico e raro
Percebei no vão de uma censura
Uma luta sem fim e imatura.

Chega a ser vago, Gisele, um argumento contrário,
Chega a ser triste não ter o poder e o comando.

Cabe a mim, simples trovador,
Escrever o amor de um amigo
Que espera Roupa Nova pra ficar muito mais bonito
Que calado, deseja a ti, uma Feliz Páscoa e o abrir de seu sorriso!

terça-feira, 9 de março de 2010

Hipnose


Observe o relógio,
O balançar do relógio.

Para um lado e para o outro
Com uma angulação tão similar.

Perceba agora os ponteiros,
O pequeno e o grande,
O grande e o pequeno,
Por hora, na hora, um minuto e um tempo,

Fechando... Abrindo...
O relógio no vento.

Abrindo... Fechando...
O tormento está dentro.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Dicotomia do Aperto


Fique aí!
Respeite meu espaço
Mais que sagrado!

Cuida de mim!

Quero um abraço
Bem apertado!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Embaixo do Armário


Coloque a mão, lá no fundo,
Onde você não alcança.
Lá está bem escuro!
Será que ali encontro esperança?

Sem a visão, sem audição,
Apenas o tato como amigo.
Procurarei sempre o mais dificil,
Mesmo com os perigos do desconhecido,

Onde a poeira se faz presente,
Onde o inesperado já é sabido.